Carnaval longe da praia.

Nunca vi tanto lixo junto numa festa só. Andei do Porto ao Farol para ver a folia e o cenário que vi jamais será esquecido. Sem entrar em detalhes para não parecer redundante em minhas reclamações neste blog, acho que uma palavra pode resumir muito bem o visual: DEGRADAÇÃO!

Não posso entender como as pessoas conseguem se divertir quase indo ao delírio em uma situação tão caótica como esta. Não sei porque nenhum veículo de comunicação tem a coragem de mostrar uma matéria sobre este outro lado da festa. Aliás, posso até arriscar que o “lob” dos financiadores da folia, que injetam muitas cifras nas emissoras, não deva permitir que qualquer notícia verdadeiramente negativa seja veiculada. Até porque parte destes investidores de peso são os que mais geram o lixão que vemos espalhados pelas ruas a exemplo das cervejarias.

Seria justo que tais empresas fossem obrigadas a auxiliar na “limpeza” da folia espalhando tonéis de lixo, contêineres e banheiros químicos a vontade pelas ruas do circuito. Obrigadas também a divulgar campanhas educativas. E os artistas pedindo, orientando e informando os foliões a participarem desta ação.

Seria legal para não ficar a impressão de que o carnaval da Bahia é bom para o folião mas é muito melhor para os artistas e patrocinadores que fazem suas transações comerciais milionárias sem se importar verdadeiramente com a saúde da nossa gente e a conservação da nossa cidade. Algo tem que mudar!

Aproveito o gancho para sugerir que se afaste o carnaval da orla da cidade enquanto as coisas continuarem como estão. O lixão das ruas pode ser catado após a festa mas aquele que vai para as águas do mar continuará vagando pelos oceanos sem qualquer solução. Hoje, penúltimo dia de carnaval, recolhi alguns quilos de resíduos plásticos que estavam boiando entre as praias do Porto e Farol da Barra. Vejam, só o que vi boiando! A maior parte era de embalagens de latas de cerveja.

Por isso, que tal um circuito oval com muito espaço para os trios, foliões, ambulantes e camarotes, muita área verde, longe de residências, hospitais, estabelecimentos comerciais e sítios históricos? Que tal o circuito do carnaval na Paralela em frente ao CAB circulando o monumento Luiz Eduardo Magalhães?

Seria mais organizado, menos apertado, não depredaria nossos patrimônios históricos deixando-os livres para a visitação do turista que vem a Salvador para conhecê-los, teria muito mais opção de estacionamentos e acessos, seria muito mais popular e, principalmente, seria longe da praia.

O carnaval pelo carnaval sem apelos comprometedores. Tudo a favor! Se ACM estivesse vivo a idéia iria vingar e o circuito já teria até um nome. Quem adivinha??

7 thoughts on “Carnaval longe da praia.

  1. Prezado Bonga,
    parabéns pela atitude e pelo tempo investido em fomentar o questionamento e a reflexão, os textos estão ótimos. Fico na torcida para que suas palavras ecoem na mente de quem tem voz ativa e contagie aqueles que tem poder de fazer algo efetivo.

    Aquele abraço e boas ondas

    Adrian

  2. Grande Bonga
    Parabéns pela iniciativa. Em uma época em que o exterior é mais valorizado, em que as pessoas previlegiam o ter do que o ser, é sempre bom ouvir (ler) quem tem cultura para cuspir na estrutura.
    A cada dia que passa,fica mais claro que o problema do Brasil é cultural. Falta cultura para este povo de bem, mas ignorante.
    Temos uma coluna de meio ambiente no EsporteNaRede que nunca foi bem utilizada. Gostaria de contar com a sua colaboração. Peço autorização para utilizar os seu textos no ENR…
    Vibrações positivas,
    Miguel

    • Grande Brussel. Fico feliz que tenha lido meu blog. E pode usar os textos que achar interessante, só me avisando da publicação. Estamos com um projeto aqui no Porto chamado PORTO LIMPO, PORTO LINDO para tentar diminuir a lambança por aqui. Depois te passo detalhes. Acho que vai achar interessante… Abço,BM

  3. Olá Bernardo,
    Gostaríamos de fazer uma matéria sobre a questão do lixo do Carnaval no mar. Por favor, entre em contato com a redação de A TARDE, no tel 3340-8800 e procure por Maiza.
    Grata,
    Maiza

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