DO CARNAVALIXO AO CARNAVALIMPO

 

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Milagres da folia: nasce poste no lugar de árvore! Carros oficiais e trios invadem calçadas…

Mais uma vez o resultado do mergulho após o carnaval foi surpreendente. Retiramos de lixo hospitalar até uma churrasqueira. O que não surpreendeu foi constatar que após tantas ações, tantas denúncias e diversas intervenções pouco incisivas do poder público, a situação vem se agravando.

É decepcionante concluir que não há sinais de conscientização, melhora na educação e nem o aumento do interesse da nossa gente pela conservação dos patrimônios ambientais, históricos e culturais desta cidade.

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CARNAVALIXO 2016

A percepção dos curiosos que passavam no local foi a mesma. Com indignação, baianos e turistas fizeram fotos, filmaram e nos parabenizaram pelo esforço. Até um grupo de Japoneses arregalou os olhos com a sujeira. O guia ficou envergonhado.

Um senhor visivelmente intrigado, começou a puxar conversa. Explicamos que o FUNDO DA FOLIA é um projeto voluntário, sem vínculos comerciais, motivado pelo amor à natureza, à cidade e às pessoas que moram aqui. Falamos que além da conservação ambiental nossa intenção é divulgar, discutir o problema e propor soluções. O Parque Marinho da Barra é um exemplo.

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Folião prevendo a cara da Barra se nada mudar. 

Ele perguntou sobre conscientização. Provocamos a reflexão: Se nem o poder público te se conscientizado dos danos provocados à cidade pelo agigantamento do carnaval na Barra, o que se pode esperar da população? Ele coçou o queixo, e continuamos…

Conscientização rima com educação. Aliás, nossa terra há muito sofre com a pecha de abrigar um dos povos mais sem educação do país. Temos fama de barulhentos, mijões, sujões e cegos ao direito alheio. E nos parece que o poder público incentiva tais comportamentos em ações equivocadas como tem feito nos últimos carnavais.

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Nível de consciência dos poderes públicos.

Achamos, por exemplo, que o imoral desatino de fazer propaganda e usar a máquina pública para potencializar o aumento do consumo de bebidas alcoólicas é uma incoerência. O álcool prejudica a educação, saúde e segurança. É dever de ofício, e não opção de governo, adotar políticas contrárias ao seu consumo.

O carnaval da Barra é outra sandice. Cresceu demais e os danos que provoca já não podem ser desprezados. As súplicas dos moradores, comerciantes locais e meio ambiente são legítimas! O circuito do “glamour” não pode mais esconder a tensão entre a força do capital e a fragilidade dos patrimônios, inclusive humanos, que o mitificam.

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Por trás da urina do “glamour”.

Não é a toa que as cores do intestino deste circuito, mais uma vez, foram o laranja e o preto. Laranja do capital sem alma e preto de almas sem capital. A banalização deste cenário tem gerado uma “carnavalização cultural” com efeitos sociais preocupantes.

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Capital que não já não consegue esconder todas as almas.

Nosso interlocutor interrompeu: “Agora entendo porque Salvador não trata adequadamente seus patrimônios culturais. O foco descabido em festas atrofia a importância destas riquezas tornando-as pano de fundo, latrina e lixeira para trá, trá, trás e lepo, lepos. Vira costume, vira a carnavalização cultural que vai sufocando outras perspectivas. É o caso da Barra. É o caso do Centro de Convenções, do hotel Pestana, do turismo de negócios e da Orquestra Sinfônica da Bahia que seguem agonizando.”

Continuou: “Sobre o álcool, certo que a propaganda altera o comportamento das pessoas. Tanto que já não há diversão sem cerveja em Salvador, uma falácia construída pela subserviência do mercado, meios de comunicação, políticos e governos às cervejarias. Por isso a prefeitura legitima o aumento do consumo, a densidade dos pontos de venda, a propaganda sem critério e a venda sem controle. Vai nutrindo um passivo socialmente perverso. Um dia terá que pagar a conta! ”

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Carnavalização e álcool, união da avacalhação no Farol da Barra.

E arrematou: “Olhando agora este lixo submarino começo a enxergar muito além do que ele realmente aparenta. Tenho a impressão que vocês viraram a festa ao avesso mostrando um lado que ninguém quer mostrar. Há um conflito entre a Barra, seus patrimônios e o carnaval que cresceu demais. Vejo ainda cores que nunca tinha visto”.

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Muito mais que lixo! Do jeito que o povo gosta…

Fizemos questão de dizer que não éramos contra o carnaval, a prefeitura nem a cerveja, mas a favor da nossa cidade. Por isso achamos que o admirável prefeito deve repensar o tipo de relação que mantém com as cervejarias e ter coragem para propor alterações profundas no carnaval da Barra diminuído os dias e atrações.

Legal deixar o circuito Sérgio Bezerra, o Furdunço e o Fuzuê por 3 dias, e criar no CAB, ou em outro local, a CIDADE DO AXÉ para trios e camarotes. Esta medida protegerá os patrimônios da Barra, diminuirá a vergonhosa incitação ao trabalho desumano de uma cor só e dará destaque a cada circuito por suas peculiaridades.

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Um Shopping a serviço do álcool. Desvio de finalidade para sobreviver à carnavalização da Barra. O Barracenter vira o Alcoolcenter…

Veio a despedida do nosso amigo: “Vou levar estas ideias ao corajoso prefeito, aos artistas que amam Salvador e aos empresários que enxergarão ótimos negócios na CIDADE DO AXÉ. Vou à imprensa e ao Ministério Público pelas questões ambientais, do patrimônio histórico e da promiscuidade etílica que embriaga nossa cidade!”.

Instigado, fez algumas fotos e nos parabenizou. Ficou alguns segundos olhando para o mar, para o lixo e para o Farol, e seguiu andando cabisbaixo…

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Parque Marinho da Barra carnavalizado. Até as lanchas…

Logo veio o comentário de um dos nossos: “Nem para esse cara ser o prefeito, Ivete Sangalo, Ricardo Boechat, o dono de um camarote ou cervejaria disfarçado de gente normal…” E caímos na gargalhada.

Diríamos ainda àquele baiano de alma que a fragilidade megalomaníaca pela busca do “MAIOR” carnaval do mundo, em meio a tantos sacrifícios por um título de efeitos incipientes, é um equívoco. Inteligente seria usar de humilde assertividade para produzir o “MELHOR” carnaval do planeta com sustentabilidade e ganhos sociais permanentes. É só colocar o interesse público, e não do público, como prioridade, e entender que Salvador é bem maior que o carnaval.

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Não parece, mas a luz do Farol é infinitamente maior que o laranja da folia, e infinitamente melhor para a cidade.

Há quem diga, inclusive, que sem ele o padrão de desenvolvimento desta cidade seria bem melhor. Será?

Fato é que a folia precisa ser realmente boa para a cidade. Por isso o CARNAVALIMPO no CAB é uma opção contra o CARNAVALIXO da Barra. Medida urgente que sinaliza o quanto amamos Salvador. É o que pensa o FUNDO DA FOLIA…

 

 

Para saber mais sobre o álcool  e proteção dos patrimônios culturais brasileiros:

http://www.cisa.org.br/artigo/4429/relatorio-global-sobre-alcool-saude-2014.php

http://www.cisa.org.br/artigo/360/politica-nacional-sobre-alcool.php

http://www.cisa.org.br/artigo/276/custos-socio-economicos-uso-alcool.php

http://www.cisa.org.br/artigo/221/problemas-sociais-decorrentes-uso-alcool.php

http://www.cisa.org.br/artigo/3988/acoes-para-reduzir-uso-nocivo-alcool.php

https://jus.com.br/artigos/21215/analise-dos-atuais-mecanismos-de-protecao-do-patrimonio-historico-cultural-artistico-turistico-e-paisagistico-nacional

PARQUE MARINHO DA BARRA

Quando começamos as ações do FUNDO DA FOLIA, em 2009, não imaginávamos ir além da limpeza do fundo do mar na Barra e a conscientização das pessoas, contudo, com o amadurecimento do grupo, passamos a almejar um legado concreto e permanente para a cidade.

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FUNDO DA FOLIA DESDE 2009

Daí que há pouco mais três anos pensamos em transformar uma pequena área na entrada da Baía de Todos os Santos, entre o Farol da Barra e o Forte Santa Maria, numa unidade de conservação natural. Assim surgiu a ideia do PARQUE MARINHO DA BARRA.

O objetivo é preservar o ambiente marinho, destacar a importância dos sítios arqueológicos submersos, agregar valor aos patrimônios históricos do entorno e fomentar atividades ligadas ao turismo ecológico, pesquisas científicas, diversão em contato com a natureza e educação ambiental.

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Área do PARQUE MARINHO DA BARRA

Algumas regrinhas simples como o controle da pesca, transito de embarcações motorizadas e atividades que causem impactos negativos ao lugar deverão ser implementadas. Não haverá mudanças em relação ao acesso da população para o lazer nas praias, mergulho de contemplação, Surf, SUP, barcos a vela, natação e outras atividades não impactantes.

Um dos resultados esperados é o repovoamento da área por espécies de peixes que deixaram de existir ou estão cada vez mais raros na região. Como um berçário natural protegido, haverá o aumento destas populações inclusive para fora dos limites do parque.

Tal mecanismo, conhecido por “transbordamento”, representará ganhos para as atividades de contemplação e o turismo subaquático dentro do parque, e fora, para a pesca que há muito sofre com a escassez de peixes decorrente de ações predatórias.

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Ecossistema de relevante valor ambiental.

Não há dúvidas que este pedacinho incrível da Baia de Todos os Santos possui todos os requisitos para o projeto.

Seus patrimônios históricos abrigam entre si um belíssimo ecossistema marinho de relevante valor ambiental. Seus três naufrágios, totalmente acessíveis à visitação pública, repousam silenciosamente naquelas águas cristalinas a espera de melhor aproveitamento cultural e científico. Aquela borda singular da Baia de Todos os Santos possui ainda o charme de um dos bairros de maior visibilidade e beleza cênica de Salvador.

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Naufrágios, Fortes e Natureza!

Eis que o PARQUE MARINHO DA BARRA servirá à proteção deste riquíssimo acervo patrimonial incentivando seu uso com sustentabilidade. É levar um olhar diferente para o local promovendo desenvolvimento com responsabilidade. Os benefícios sociais, culturais e ambientais são inquestionáveis.

Em 2014 a ideia tomou forma. O assunto do PARQUE MARINHO DA BARRA virou tema de pesquisa no curso de Oceanografia da UFBA, e o Professor Francisco Barros merece ser lembrado pela sensibilidade à causa. A conclusão do estudo serviu de base para a elaboração do projeto que temos apresentado junto com a AMABARA (Associação de Moradores e Amigos da Barra) às pessoas, órgãos públicos e instituições privadas de interesse direto no assunto.

Ao longo de 2015 contatamos o TAMAR, IPHAN, SPU, MP/BA, Yachty Clube da Bahia, 2º Distrito Naval, Secretaria Municipal da Cidade Sustentável, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Vereador Paulo Câmara, Deputado Eduardo Salles, algumas operadoras de mergulho, pescadores, biólogos, oceanógrafos, urbanistas, entre outros. A empolgação foi geral!

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Tartaruga de pente no naufrágio do Maraldi.

Atualmente o projeto está na Secretaria de Cultura e Turismo de Salvadoor. Em julho do ano passado fomos muito bem acolhidos por lá e resolvemos encerrar provisoriamente nossa peregrinação institucional. De lá pra cá, temos poucas notícias…

Por isso acho prudente “esquentar” as vibrações em torno do projeto para não deixar o tempo afastá-lo muito das nossas pretensões. Sugiro promover reuniões com pessoas de interesse direto, realizar ações práticas e passar a chamar o lugar de PARQUE MARINHO DA BARRA para avançar com a ideia sem ficar na dependência exclusiva do poder público.

Do FUNDO DA FOLIA podem esperar a dedicação apaixonada de sempre, pois o conformismo nunca foi o nosso forte. Precisamos estar em movimento para manter a chama do ativismo voluntário do grupo sempre em alta e este tema nos instiga!

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O FUNDO DA FOLIA está instigado.

É bom lembrar que vamos precisar de uma equipe tecnicamente preparada para, oportunamente, sugerirmos como opção à gestão do parque. Não seria prudente deixar este encargo somente ás indicações políticas. Aliás, também por isso, acho possível fazer o projeto ir acontecendo antes mesmo de sua “efetiva” criação. Para nós ele já existe e temos buscado a conscientizar as pessoas para o seu devido aproveitamento através das nossas humildes ações.

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Vamos esquentar a ideia. As crianças apoiam!

Esta é a situação, e o intento deste pequeno resumo é dar maior publicidade a este nobre desafio. Precisamos juntar gente, boas energias e grandes ideias para conseguir realizar algo que ficará como um eterno presente às futuras gerações.

Afinal de contas, o PARQUE MARINHO DA BARRA é uma ideia positivamente admirável sobre todos os aspectos e com evidentes benefícios à educação da nossa gente. Um projeto abençoado por Todos os Santos desta linda Baía cheia de encantos, muitos deles pedindo socorro silenciosamente no fundo do mar…

Vídeo do Parque Marinho da Barra

Entre lixo, oferendas e o coração.

O FUNDO DA FOLIA continua realizando regularmente suas ações de limpeza do fundo do mar na orla de Salvador. Em meio ao lixo recolhido, temos encontrado diversos objetos usados em oferendas religiosas. Veio a reflexão: que atitude tomar em relação a estes objetos?

Presente em meio ao lixão submarino.
Presente em meio ao lixão submarino.

O projeto ficou dividido. Alguns acham que não devemos realizar a coleta por receio de “retaliações espirituais”, por consideração aos devotos ou apenas por desconhecimento do assunto. Preferem nem tocar nos “presentes”, deixando-os ao sabor das ondas, mesmo que representem riscos aos banhistas a exemplo de louças e vidros quebrados.

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Oferendas quebradas.

Entretanto, a maioria acredita na necessidade da coleta com sua destinação adequada por respeito às entidades religiosas. Pensam na importância da ação para a natureza que além de ser a fonte de todas as crenças, agoniza por imediata proteção e melhores cuidados.

Em rápida busca pela internet descobri diversas abordagens sobre o tema. Religiosos e simpatizantes de várias doutrinas, em maioria, acham necessários os rituais com pouco ou nenhum impacto negativo.

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Objetos que podem machucar banhistas.

Uma das correntes, por exemplo, sugere o uso de orgânicos como folhas para montar os invólucros e frutas como alimentos. Que se pode usar flores, perfumes e bebidas sem que as embalagens façam parte da oferta. Que tudo que não for orgânico desperta, inclusive, a tristeza da Rainha dos Mares.

Outra corrente, mais radical, condena até o uso de orgânicos. Alega que o poder da espiritualidade está na fé e não na oferta de quaisquer bens. Que a essência das religiões reside nas orações e nos cânticos de agradecimento com pedidos de boas vibrações para tudo e para todos. E o oceano é o elemento de conexão com o mundo imaterial devendo estar sempre limpo e saudável.

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Trabalho intenso!

Penso que o uso de orgânicos seja um avanço embora simpatize com a ala mais radical. Estou certo que é possível harmonizar as vontades humanas com as necessidades da natureza, as bênçãos dos Orixás e demais forças de outras religiões.

Entendo que Iemanjá, por exemplo, não precisa dos frascos das alfazemas, dos plásticos que arrumam as flores, dos pregos que armam os cestos, dos pratos, garrafas, velas, colares, espelhos e adereços que, com o melhor dos desígnios, são lançados ao oceano em grande volume.

Vale aumentar o foco nas orações e nos cantos, e reduzir as obrigações com ofertas materiais. Além de praias limpas e rituais sustentáveis haverá resultados positivos em favor da educação e cultura das pessoas da nossa terra. Estou certo que os deuses vão amar!

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Vidros, metais, plásticos…

Assim, pelo entendimento da maioria, seguimos com a nobre missão de limpeza do fundo do mar das nossas praias coletando todos os tipos de resíduos poluentes, inclusive os das oferendas.

Uma missão que nos foi confiada por alguma força do bem, como um ato voluntário de solidariedade coletiva, cujo desígnio primordial é cuidar carinhosamente dos belos jardins ainda saudáveis da casa de Iemanjá.

É isso que fazemos, com o coração!

Fotos: Fundo da Folia.

Prévia do Fundo da Folia 2015

Eis uma prévia das ações do Fundo da Folia para este verão que se inicia. Estamos focados em transformar esta área em um Parque Marinho, uma unidade de conservação ambiental, para ajudar a Baia de Todos os Santos a resistir um pouco contra a degradação a que está submetida. Além de servir de “piloto” para outras investidas do mesmo gênero.

O Fundo da Folia busca este resultado concreto por suas ações. E a Barra, cartão postal da cidade de Salvador, e um dos bairros mais frequentados nesta capital baiana, será o lugar perfeito para o projeto por sua visibilidade e apelo natural, patrimonial e turístico.

Juntem-se a nós, vamos ao Parque Marinho da Barra!

Contatos no facebook: https://pt-br.facebook.com/projetofundodafolia

Fundo da Folia 2014 e o Parque Marinho da BTS.

Desculpem! Fico extremamente preocupado com a empolgação do nosso prefeito e sua equipe pelos resultados do carnaval e a “brilhante” ideia de aumentar a folia fazendo muitos outros eventos do gênero ao longo do ano.

A CARNAVALIZAÇÃO etílica da nossa cultura vai de vento em popa e insisto no fato de que esta subserviência ao álcool em nossa cidade vai afastando cada vez mais nossa gente das coisas que realmente possuem um grande valor.

Por que ao invés de mais dias para o LEPO LEPO não se festeja a revitalização do Patrimônio da Humanidade chamado Pelourinho focando ali a atenção, o zêlo e a grana que ele merece? Menos LEPO LEPO e mais educação, já dizia minha filha no PIPOCA INDIGNADA deste ano…

Mais educação!
Mais educação!

Por que não se cumprem as leis de proteção aos patrimônios históricos e ambientais e se diminui o carnaval na Barra em dias e tamanho levando os trios e camarotes para o CAB ou qualquer outro lugar que não demonstre tamanha ignorância no trato com nossas riquezas? Não posso acreditar que Salvador com tantos privilégios naturais, históricos e culturais dependa da esculhambação, do álcool, do barulho e da irresponsabilidade para ser atraente e gerar renda.

Desculpe, mas isso é burrice!

Dá para conciliar tudo, carnaval de trios e camarotes, com os de rua sem cordas, com circuitos descentralizados e com a conservação e valorização das grandes riquezas desta terra abençoada.

É preciso coragem para dobrar com argumentos sólidos e irrefutáveis algumas resistências meramente comerciais. Mas se colocados corretamente, é lógico que tais resistências com suas inteligências aguçadas e visão de luneta vão concordar que o negócio vai ser ainda melhor $$$ e socialmente muito mais responsável. Todos vão ganhar.

O FUNDO DA FOLIA é isso, mostra um pouco da cagada que a carnavalização da nossa cultura tem gerado. É como a sujeira invisível embaixo do tapete. É como o carnaval alegremente desmedido visto por um folião cardíaco sob o efeito do álcool. É como Salvador diz tratar suas maiores riquezas. É lembrar a todos que nossa cidade continua sendo como um diamante nas mãos de uma criança de 2 anos de idade que não tem a menor ideia do seu valor, mas já sabe cantar e dançar o Lepo Lepo. Lamentável…

A Folia no fundo do mar.
A Folia no fundo do mar.

Não estou aqui julgando nosso atual Prefeito. Estou aqui falando de um sistema que o envolve, que o cega e o alegra como foi com tantos outros. Aliás, carnaval, festa, cerveja, dinheiro e marketing pra enrolar o povão em sua embriaguez é fórmula comum lá por cima. É pão e circo!

Mas sou otimista e por acreditar em um “estalo de consciência” na administração municipal é que faço o que faço com meus amigos, e no maior prazer. Limpamos o mar, malhamos, curtimos altos visuais, damos muitas risadas, fazemos a alegria de alguns catadores de recicláveis e ao final deixamos nosso recado.

Por mim, criava-se ali o PARQUE MARINHO DOS FORTES DA BAIA DE TODOS OS SANTOS, mais um argumento para fazer frente à máquina da esculhambação momesca da Barra e, ao mesmo tempo, criar uma nova atração culturalmente positiva para o desenvolvimento sustentável de Salvador.

Parque Marinho dos Fortes da BTS
Parque Marinho dos Fortes da BTS. Do Farol ao Santa Maria.

Teríamos um parque marinho urbano, algo singular no país. Teríamos um símbolo da resistência à degradação da nossa Baia de Todos os Santos, algo muito nobre. Ajudaríamos à conservação dos fortes no seu entorno, dos naufrágios, da fauna e flora marinhas, da pesca artesanal, das atividades esportivas de pouco impacto e do costume da contemplação, algo muito inteligente.

Uma questão de habilidade política, amor pela cidade, compromisso com o bem público e, coragem, muita coragem…

Nós do FUNDO DA FOLIA,  acreditamos!

Segue o vídeo com o resumo da ação deste ano…

Surfando um Patrimônio Cultural Brasileiro

Não resisti. Tive que postar um video na internet para mostrar a estreita relação do surf com um dos mais belos Patrimônio Culturais do Brasil, o Forte de Santo Antonio da Barra, mais conhecido como Farol da Barra, em Salvador. Eu era um garoto de onze anos quando iniciei minhas primeiras remadas do surf neste lugar. Era o ano de 1977 e desde aquela época jamais deixei de sentir uma grande paixão pela energia que existe por ali.

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Primeiro Farol das Américas. Olha as ondinhas na rasa bancada de corais…

A curiosidade natural por sua história me levou a conhecer ainda mais a própria história do nosso país, da nossa cidade e da complexa mistura que se deu entre as raças de várias origens para a construção de uma identidade cultural belíssima.

Apenas no trecho que vai do Farol da Barra ao Forte São Diogo, este na praia do Porto da Barra, é possível viajar por fatos que nos fazem refletir sobre a importancia da conservação desta área não só por sua história, mas, também, por suas riquezas naturais.

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Ter o Farol da Barra na entrada de uma das mais belas baías do mundo com suas aguas mornas, cristalinas, repletas de naufrágios (verdadeiros sítios arqueológicos), de saveiros, de pescadores artesanais, de uma linda fauna e flora marinhas, além de ser um dos poucos lugares do planeta onde é possível ver o sol nascer e se pôr no mar é um privilégio sem igual.

Agregar o surf a uma riqueza desse tamanho é tornar a vida muito mais prazerosa!

Carnaval no Farol

Por este motivo gosto de compartilhar minhas emoções neste lugar. Penso que é um patrimônio mal cuidado e carente por ações que divulguem seu valor para nossa cultura e a educação da nossa gente. Não é possível que a carnavalização de Salvador continue ofuscando seu brilho.  Não consigo digerir a ideia de que a cultura da nossa terra seja totalmente dependente da festa momesca e de toda a degradação que ela fomenta. Isso é um crime ideológico!

É esta concepção equivocada que coloca a folia acima de qualquer lei para justificar tantos desmandos, que acaba por agravar os grandes problemas já existentes na saúde, educação e cultura de Salvador. Mas o Farol resiste, como sempre resistiu, a tantos ataques desde a época em que os invasores tentaram tomar estas terras de Portugal.

MardeLatas

Então, nobre leitor, venho compartilhar esta percepção bem pessoal sobre o valor que tem um Patrimônio Histórico Brasileiro como o Farol da Barra para a cultura e a educação da nossa gente, através de singelas imagens do surf.

Um Patrimônio com “P” maiúsculo que merece muito mais carinho e atenção antes que queiram transformá-lo em mais um camarote na próxima folia. Alguém duvida?

Link para saber mais sobre a história do Forte de Santo Antonio da Barra e o Farol:

http://patrimoniodesalvador.wordpress.com/tag/farol-da-barra/

Stock Carnaval

Aprovado! A Stock Car é um sucesso no Centro Administrativo da Bahia. Eis que minha outrora absurda sugestão de transferir o carnaval megalomaníaco da Barra para o CAB acaba de ganhar um argumento sólido. Um ótimo precedente…

Só adaptar para o Carnaval.

O circuito da Stock Car adequado ao circuito da folia seria a concretização do tão sonhado projeto da “CIDADE DO AXÉ” de Salvador.

As ruas largas, recuos enormes, sem residências, sem casas comerciais, hospitais, monumentos históricos, praias e tantos outros alvos sensíveis fazem o cenário perfeito para a folia.

Além disso, o CAB é um local central na cidade com fácil acesso a transportes públicos, ampla área para estacionamentos, próximo a serviços básicos e não há expediente nesta época do ano. E o metrô da Copa vai passar na porta!

Perfeito ! Camarotes, pensem com carinho...

A Barra livre deste fardo teria a oportunidade de discutir seu projeto de planejamento urbano focado na sustentabilidade, na qualidade de vida de seus moradores e freqüentadores, no respeito ao comércio local, no turismo e na conservação de seu riquíssimo acervo cultural e ambiental.

Por este projeto é que a Barra deve exigir do carnaval as contrapartidas de direito.

Já pensou esse quadro na frente da sua casa ou do seu comércio?

Lembro que as entidades representativas dos trios, blocos e afoxés ingressaram em juízo contra os camarotes requerendo “direito de arena” alegando que sem tais entidades  não há lucro para os empresários. O que dizer então de um bairro que serve como sede, cenário, pinico e saco de pancadas ao lucro oportunista de tantos negócios, inclusive camarotes?

Lucros que esculhambam a cidade.

É imperativo que os movimentos do bairro busquem os benefícios pelo legítimo “direito de arena”. Devem exigir da máquina momesca ações em favor da implantação de um projeto urbanístico do nível que a cidade merece. Não é justo alegrar o mundo, promover sucesso e lucro para os descompromissados com a qualidade de vida da nossa gente, sem que nada de permanente fique para o bairro, para a cidade, além do atraso.

Crime ambiental,

Para 2012 seria ótimo negociar a restauração do Forte Santa Maria, a execução do projeto paisagístico do entorno do Farol da Barra, o aumento das calçadas da orla, construir uma bela ciclovia e fazer valer de vez a legislação que protege os espaços públicos da invasão de ambulantes, som alto e outros costumes degradantes.

Em 2013 quando o mega carnaval da Barra já estiver acontecendo no CAB  seguindo o sucesso da Stock Car, mas ainda contribuindo para a revitalização da Barra, a cidade estará melhor por esta sacada inteligente dos baianos.

Forte Santa Maria: história sem valor?

Sacada tão inteligente que assim poderemos organizar o maior protesto contra a corrupção neste país, com a marca da Bahia, lançando um tema bem sugestivo na folia de inauguração da CIDADE DO AXÉ:  A FOLIA CONTRA A CORRUPÇÃO. Queria ver os blocos, trios, camarotes, artistas e foliões unidos criativamente por uma causa tão relevante.

Mais um argumento favorável para o CAB que reúne tantos poderes públicos e que vai estar mergulhado na dinheirama que vem para a Copa de 2014.