Fundo da Folia 2014 e o Parque Marinho da BTS.

Desculpem! Fico extremamente preocupado com a empolgação do nosso prefeito e sua equipe pelos resultados do carnaval e a “brilhante” ideia de aumentar a folia fazendo muitos outros eventos do gênero ao longo do ano.

A CARNAVALIZAÇÃO etílica da nossa cultura vai de vento em popa e insisto no fato de que esta subserviência ao álcool em nossa cidade vai afastando cada vez mais nossa gente das coisas que realmente possuem um grande valor.

Por que ao invés de mais dias para o LEPO LEPO não se festeja a revitalização do Patrimônio da Humanidade chamado Pelourinho focando ali a atenção, o zêlo e a grana que ele merece? Menos LEPO LEPO e mais educação, já dizia minha filha no PIPOCA INDIGNADA deste ano…

Mais educação!

Mais educação!

Por que não se cumprem as leis de proteção aos patrimônios históricos e ambientais e se diminui o carnaval na Barra em dias e tamanho levando os trios e camarotes para o CAB ou qualquer outro lugar que não demonstre tamanha ignorância no trato com nossas riquezas? Não posso acreditar que Salvador com tantos privilégios naturais, históricos e culturais dependa da esculhambação, do álcool, do barulho e da irresponsabilidade para ser atraente e gerar renda.

Desculpe, mas isso é burrice!

Dá para conciliar tudo, carnaval de trios e camarotes, com os de rua sem cordas, com circuitos descentralizados e com a conservação e valorização das grandes riquezas desta terra abençoada.

É preciso coragem para dobrar com argumentos sólidos e irrefutáveis algumas resistências meramente comerciais. Mas se colocados corretamente, é lógico que tais resistências com suas inteligências aguçadas e visão de luneta vão concordar que o negócio vai ser ainda melhor $$$ e socialmente muito mais responsável. Todos vão ganhar.

O FUNDO DA FOLIA é isso, mostra um pouco da cagada que a carnavalização da nossa cultura tem gerado. É como a sujeira invisível embaixo do tapete. É como o carnaval alegremente desmedido visto por um folião cardíaco sob o efeito do álcool. É como Salvador diz tratar suas maiores riquezas. É lembrar a todos que nossa cidade continua sendo como um diamante nas mãos de uma criança de 2 anos de idade que não tem a menor ideia do seu valor, mas já sabe cantar e dançar o Lepo Lepo. Lamentável…

A Folia no fundo do mar.

A Folia no fundo do mar.

Não estou aqui julgando nosso atual Prefeito. Estou aqui falando de um sistema que o envolve, que o cega e o alegra como foi com tantos outros. Aliás, carnaval, festa, cerveja, dinheiro e marketing pra enrolar o povão em sua embriaguez é fórmula comum lá por cima. É pão e circo!

Mas sou otimista e por acreditar em um “estalo de consciência” na administração municipal é que faço o que faço com meus amigos, e no maior prazer. Limpamos o mar, malhamos, curtimos altos visuais, damos muitas risadas, fazemos a alegria de alguns catadores de recicláveis e ao final deixamos nosso recado.

Por mim, criava-se ali o PARQUE MARINHO DOS FORTES DA BAIA DE TODOS OS SANTOS, mais um argumento para fazer frente à máquina da esculhambação momesca da Barra e, ao mesmo tempo, criar uma nova atração culturalmente positiva para o desenvolvimento sustentável de Salvador.

Parque Marinho dos Fortes da BTS

Parque Marinho dos Fortes da BTS. Do Farol ao Santa Maria.

Teríamos um parque marinho urbano, algo singular no país. Teríamos um símbolo da resistência à degradação da nossa Baia de Todos os Santos, algo muito nobre. Ajudaríamos à conservação dos fortes no seu entorno, dos naufrágios, da fauna e flora marinhas, da pesca artesanal, das atividades esportivas de pouco impacto e do costume da contemplação, algo muito inteligente.

Uma questão de habilidade política, amor pela cidade, compromisso com o bem público e, coragem, muita coragem…

Nós do FUNDO DA FOLIA,  acreditamos!

Segue o vídeo com o resumo da ação deste ano…

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Surfando um Patrimônio Cultural Brasileiro

Não resisti. Tive que postar um video na internet para mostrar a estreita relação do surf com um dos mais belos Patrimônio Culturais do Brasil, o Forte de Santo Antonio da Barra, mais conhecido como Farol da Barra, em Salvador. Eu era um garoto de onze anos quando iniciei minhas primeiras remadas do surf neste lugar. Era o ano de 1977 e desde aquela época jamais deixei de sentir uma grande paixão pela energia que existe por ali.

Imagem

Primeiro Farol das Américas. Olha as ondinhas na rasa bancada de corais…

A curiosidade natural por sua história me levou a conhecer ainda mais a própria história do nosso país, da nossa cidade e da complexa mistura que se deu entre as raças de várias origens para a construção de uma identidade cultural belíssima.

Apenas no trecho que vai do Farol da Barra ao Forte São Diogo, este na praia do Porto da Barra, é possível viajar por fatos que nos fazem refletir sobre a importancia da conservação desta área não só por sua história, mas, também, por suas riquezas naturais.

FundoFolia2012

Ter o Farol da Barra na entrada de uma das mais belas baías do mundo com suas aguas mornas, cristalinas, repletas de naufrágios (verdadeiros sítios arqueológicos), de saveiros, de pescadores artesanais, de uma linda fauna e flora marinhas, além de ser um dos poucos lugares do planeta onde é possível ver o sol nascer e se pôr no mar é um privilégio sem igual.

Agregar o surf a uma riqueza desse tamanho é tornar a vida muito mais prazerosa!

Carnaval no Farol

Por este motivo gosto de compartilhar minhas emoções neste lugar. Penso que é um patrimônio mal cuidado e carente por ações que divulguem seu valor para nossa cultura e a educação da nossa gente. Não é possível que a carnavalização de Salvador continue ofuscando seu brilho.  Não consigo digerir a ideia de que a cultura da nossa terra seja totalmente dependente da festa momesca e de toda a degradação que ela fomenta. Isso é um crime ideológico!

É esta concepção equivocada que coloca a folia acima de qualquer lei para justificar tantos desmandos, que acaba por agravar os grandes problemas já existentes na saúde, educação e cultura de Salvador. Mas o Farol resiste, como sempre resistiu, a tantos ataques desde a época em que os invasores tentaram tomar estas terras de Portugal.

MardeLatas

Então, nobre leitor, venho compartilhar esta percepção bem pessoal sobre o valor que tem um Patrimônio Histórico Brasileiro como o Farol da Barra para a cultura e a educação da nossa gente, através de singelas imagens do surf.

Um Patrimônio com “P” maiúsculo que merece muito mais carinho e atenção antes que queiram transformá-lo em mais um camarote na próxima folia. Alguém duvida?

Link para saber mais sobre a história do Forte de Santo Antonio da Barra e o Farol:

http://patrimoniodesalvador.wordpress.com/tag/farol-da-barra/

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Stock Carnaval

Aprovado! A Stock Car é um sucesso no Centro Administrativo da Bahia. Eis que minha outrora absurda sugestão de transferir o carnaval megalomaníaco da Barra para o CAB acaba de ganhar um argumento sólido. Um ótimo precedente…

Só adaptar para o Carnaval.

O circuito da Stock Car adequado ao circuito da folia seria a concretização do tão sonhado projeto da “CIDADE DO AXÉ” de Salvador.

As ruas largas, recuos enormes, sem residências, sem casas comerciais, hospitais, monumentos históricos, praias e tantos outros alvos sensíveis fazem o cenário perfeito para a folia.

Além disso, o CAB é um local central na cidade com fácil acesso a transportes públicos, ampla área para estacionamentos, próximo a serviços básicos e não há expediente nesta época do ano. E o metrô da Copa vai passar na porta!

Perfeito ! Camarotes, pensem com carinho...

A Barra livre deste fardo teria a oportunidade de discutir seu projeto de planejamento urbano focado na sustentabilidade, na qualidade de vida de seus moradores e freqüentadores, no respeito ao comércio local, no turismo e na conservação de seu riquíssimo acervo cultural e ambiental.

Por este projeto é que a Barra deve exigir do carnaval as contrapartidas de direito.

Já pensou esse quadro na frente da sua casa ou do seu comércio?

Lembro que as entidades representativas dos trios, blocos e afoxés ingressaram em juízo contra os camarotes requerendo “direito de arena” alegando que sem tais entidades  não há lucro para os empresários. O que dizer então de um bairro que serve como sede, cenário, pinico e saco de pancadas ao lucro oportunista de tantos negócios, inclusive camarotes?

Lucros que esculhambam a cidade.

É imperativo que os movimentos do bairro busquem os benefícios pelo legítimo “direito de arena”. Devem exigir da máquina momesca ações em favor da implantação de um projeto urbanístico do nível que a cidade merece. Não é justo alegrar o mundo, promover sucesso e lucro para os descompromissados com a qualidade de vida da nossa gente, sem que nada de permanente fique para o bairro, para a cidade, além do atraso.

Crime ambiental,

Para 2012 seria ótimo negociar a restauração do Forte Santa Maria, a execução do projeto paisagístico do entorno do Farol da Barra, o aumento das calçadas da orla, construir uma bela ciclovia e fazer valer de vez a legislação que protege os espaços públicos da invasão de ambulantes, som alto e outros costumes degradantes.

Em 2013 quando o mega carnaval da Barra já estiver acontecendo no CAB  seguindo o sucesso da Stock Car, mas ainda contribuindo para a revitalização da Barra, a cidade estará melhor por esta sacada inteligente dos baianos.

Forte Santa Maria: história sem valor?

Sacada tão inteligente que assim poderemos organizar o maior protesto contra a corrupção neste país, com a marca da Bahia, lançando um tema bem sugestivo na folia de inauguração da CIDADE DO AXÉ:  A FOLIA CONTRA A CORRUPÇÃO. Queria ver os blocos, trios, camarotes, artistas e foliões unidos criativamente por uma causa tão relevante.

Mais um argumento favorável para o CAB que reúne tantos poderes públicos e que vai estar mergulhado na dinheirama que vem para a Copa de 2014.

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Longboard, Farol e Familia.

IMAGEM QUE TRADUZ SENTIMENTOS. Foto. Zé Augusto

Revirando meus arquivos de fotos e videos descobri algumas imagens em uma fita VHSC já mofada, mas que consegui recuperar para registrar a lembrança de alguns momentos de puro prazer no surf.
Foram imagens feitas pelos amigos José Augusto e João Nova no final dos anos 90 na praia do Farol da Barra, um dos maiores patrimonios ambientais e culturais do Brasil.
Além de excelente para a prática do surf em determinadas épocas do ano, o Farol da Barra é ainda um local que oferece um cenário super favorável para o mergulho livre, com naufrágios históricos, uma fauna e flora marinhas de grande valor ambiental, aguas mornas, cristalinas e abrigadas.
Toda esta magia envolvida no Farol da Barra levou alguns surfistas baianos a levantarem a bandeira em favor de sua conservação, notadamente com os registros e as ações realizadas após os carnavais de 2010 e 2011, quando uma quantidade impressionante de lixo foi descoberto em suas águas (v. O FUNDO DA FOLIA neste blog).
Este videozinho bastante amador procura unir o surf e sua essência, com a preocupação ambiental e a importancia da familia em todo este cenário.
A ideia é compartilhar sentimentos bem pessoais do autor através do seu surf, enfatizando a plástica, a harmonia e a liberdade em um ambiente extremamente belo.
Espero que gostem, pelo menos do som do Concrete Blonde que também me tras ótimas lembranças… Aloha!

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POR FORA DOS CAMAROTES, DOS BLOCOS E DO CARNAVAL.

Quando Santos Dumont inventou o avião ele jamais pensou que sua criação pudesse servir às guerras. Fico pensando em Dodô e Osmar, inventores do Trio Elétrico. Creio que o sentimento dos dois sobre esta fenomenal criação para o carnaval de Salvador tenha sido o mais democrático e popular possível. Jamais o sentimento de exclusão e degradação.

Juro que pensei até em escrever algo menos queixoso, para não parecer rabugento, porém, revendo alguns registros da festa este ano aqui na Barra, não tive como direcionar a imaginação para um tema menos espinhoso.

 

A CRISE CONTINUA

Primeiro por constatar que não há qualquer preocupação pelos impactos negativos que a folia causa ao bairro em razão do seu agigantamento ao longo dos últimos anos. É evidente que tal crescimento já passou de qualquer limite aceitável para um espaço tão pequeno, tão residencial e tão repleto de riquíssimos patrimônios que há muito carecem de atenção.

É complicado vivenciar a degradação do bairro e a necessidade urgente de sua revitalização em favor de toda a cidade e, ao mesmo tempo, ter que engolir a idéia paranóica de “experts” que este agigantamento carnavalesco na Barra seja essencial para o desenvolvimento de Salvador. Por isso o lugar deve resistir a tantas agressões.

Mas que desenvolvimento? Da indústria dos blocos, dos camarotes, dos trios, das cervejarias e de um turismo que expulsa os baianos da folia, eu até concordo. Só não consigo entender os motivos pelos quais os poderes públicos do estado e do município, que deveriam zelar por políticas sociais positivas e a conservação da nossa cidade, admitem passivamente esta situação.

ESCONDENDO A TRISTEZA

Fico preocupado quando vejo na mídia autoridades públicas tecendo comentários irrefutáveis sobre o carnaval na Barra. Em meio a tantas permissividades administrativas e ilegais em desfavor dos patrimônios e da população da cidade, tudo se justifica pelo discurso da geração de renda e benefícios diretos para a cidade.

Se fosse assim, pelos anos deste discurso que coloca a folia como a maior festa popular do planeta, parte da miséria e dos problemas sociais da cidade teria acabado. Mas a crise continua como se não houvesse carnaval. Por que?

Venho então com minha insistente ingenuidade tentar retratar um carnaval que não se parece em nada com tais discursos. Um carnaval percebido por quem mora na Barra e convive diretamente com a parte obscura da folia.

Diariamente conversamos com os ambulantes acampados pelas ruas, calçadas, nossas portas e praias do bairro. Compartilhamos o drama de famílias inteiras que levadas pelo apelo dos lucros carnavalescos, comem, urinam, cagam e dormem pelas ruas sujas e fétidas à margem da folia.

PATROCINADORES OFICIAIS

Das sacadas e janelas dos apartamentos residenciais é possível acompanhar o dia a dia dessa gente humilde. O sofrimento mascarado por uma alegria eventual não consegue esconder uma realidade socialmente preocupante. O desejo de estar “dentro” da folia com seu ponto comercial adaptado para dormitório, bem pertinho da praia, é algo muito atraente.

Não há certeza de lucro ao se pontuar as condições de trabalho e o esforço dispensado para montar e manter a “guia”. Compensa, entretanto, se não houver prejuízos imediatamente perceptíveis e se o ponto funcionar como base para a família e os amigos. Melhor ainda é poder “tomar várias” por conta do próprio negócio.

Os ambulantes e seus pontos são por maioria verdadeiros pontos de venda das cervejarias que, neste aspecto, são bem democráticas. Estão em todos os lugares sem a menor discriminação.

Vejam se não podemos dizer que estes são os camarotes do povão?

A diferença em relação aos que estão no circuito da folia, no nível e acima dos trios e das grandes atrações, é que estes geralmente estão nas ruas marginais, atrás dos camarotes bacanas e muito abaixo do nível das rodas dos trios. Além do mais, dificilmente terão um artista em suas instalações fazendo marketing ou trocando afagos verbais que garantam exposição na mídia.

 

CONTRASTE DE CAMAROTES

Nos camarotes do povão não precisa pagar por camisas e nem por pacotes com tudo incluído. Também não tem bandas alternativas, boates, cabeleireiros, salas de massagem, restaurantes, banheiros privativos e passeios de helicóptero.

Nos camarotes do povão não tem nada disso, porém, em compensação, só se paga o que consome. Além do mais não há controle de entrada, de estada nem de nada. Nem este negócio de “estatuto do carnaval” preocupa. Está tudo liberado, mesmo que em situação para saúde pública e direitos humanos nenhum botar defeito.

O carnaval por fora dos camarotes e dos blocos é muito diferente. A julgar pelos índices divulgados ao final da festa, de que a maioria dos foliões do carnaval é de turistas, a grande massa de cordeiros, vendedores ambulantes e “pipocas” é formada pela gente aqui da terra. Tem algo errado nessa fórmula e penso que Dodô e Osmar ficariam desapontados.

RESTO DA FOLIA

De certo é que ainda não me convenci de outra solução que não a mudança deste modelo de carnaval da Barra para outro local onde os impactos pudessem ser minorados. Já passou da hora de se criar um “AXEZÓDROMO” em Salvador para organizar a folia sem impactos sociais e patrimoniais tão questionáveis.

Um local apropriado para deixar o resto da cidade seguir o seu rumo de desenvolvimento e que acabe com esta choradeira da Prefeitura de dizer que gasta mais que arrecada com um produto tão valioso nas mãos. Já sugeri o CAB (Centro Administrativo da Bahia).

Alguém acredita que os hotéis, praias, monumentos e estabelecimentos comerciais da Barra deixem de lotar na época do carnaval, onde quer que ele aconteça?

Peço ao nobre leitor que me perdoe pelas observações redundantes sobre o carnaval. É que não consigo me convencer de que só a Barra é capaz de sediar este megaevento, neste formato, com tantas coisas negativas acontecendo.

Assumo também que posso estar equivocado em minhas considerações. Posso estar sofrendo de algum distúrbio “solidário-depressivo” que tem me levado a ter grande preocupação com a condição “submundista” da nossa gente na folia, além de um sentimento “pernicioso” de excessiva valorização dos patrimônios históricos, culturais e ambientais da Barra.

Entendo que estes são muito mais importantes que o próprio carnaval. Sério mesmo.

 

PORTA DO SHOPING

Por isso já marquei consultas com um psicólogo, um psicanalista, um antropólogo e um sociólogo para ver se eu é que estou interpretando as coisas equivocadamente. Marquei também uma revisão no oculista para ter certeza que não estou vendo coisas demais.

Além disso, estou agendando aconselhamentos com empresários, os principais artistas e a grande mídia para tentar me convencer das maravilhas que justifiquem insistir com essa idéia, como se nada de grave estivesse acontecendo.

Porém, de todas estas consultas e aconselhamentos, além do prefeito e do governador, eu queria mesmo era saber a opinião de Dodô e Osmar. Acho que não me decepcionaria!

Acredito que os pais do Trio Elétrico entenderiam grande parte dos meus argumentos. Até porque o circuito da Barra se tornou o símbolo do desprezo carnavalesco com a dignidade humana, com nossa cultura e nossa história.

História, inclusive, da qual são protagonistas ímpares no cenário carnavalesco. Assim como aqueles que estão por fora dos camarotes, dos blocos e do próprio carnaval.

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Ps. Prometo não falar do carnaval, nem da degradação da Barra e da cidade no próximo texto. Só no próximo…

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A FOLIA CONTINUA !

O bloco reluzente mais uma vez marcou forte presença no carnaval de Salvador. O fundo do mar no circuito da Barra continuou sendo palco silencioso de um desfile de latas e garrafas que simboliza negativamente um lado obscuro da grande festa. Pensei que após o FUNDO DA FOLIA no carnaval 2010, medidas fossem tomadas para evitar a continuidade daquelas cenas no carnaval deste ano.

FUNDO DA FOLIA 2010

Idéias foram lançadas no sentido óbvio de se contratar mergulhadores para uma faxina no fundo do mar durante e após a folia. Reconheço os efeitos positivos desta medida, porém, insisto em avançar na origem do problema evitando que os resíduos cheguem até as praias. Não podemos acostumar com a idéia do FUNDO DA FOLIA para não legitimar tal aberração no carnaval. Até porque o material arrecadado no fundo do mar deve ser uma pequena parte do montante que se perde no oceano com as correntes.

ASSIM COMEÇA A FOLIA NO FAROL

A verdade é que os “agentes do carnaval”, os blocos, camarotes, empresas patrocinadoras, artistas e poder público demonstraram total desprezo para o problema. Interessou, e muito, para algunss, aproveitar o “babado” como mais um grande produto de marketing. Só isso.

É bom frisar que o FUNDO DA FOLIA não representa apenas a poluição do meio ambiente. Ele reflete diversos outros problemas igualmente graves como as incipientes políticas públicas nas áreas da educação, saúde e segurança da nossa cidade.

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Os índices negativos nestas áreas durante a farra momesca são sempre preocupantes. Eles são potencializados por uma concentração popular ensandecida, que no embalo de uma estrutura midiática muito bem planejada em favor de interesses pontuais, se joga inocentemente no jargão da “alegria a todo custo” e inigualável apelo etílico.

Da maneira como o carnaval de Salvador vai se agigantando sobre o manto irresponsável dos gestores públicos baianos, que insistem em ser meros coadjuvantes na hora das decisões de interesse social, a tendência é que a coisa fique ainda pior.

SEGUNDO DIA DE CARNAVAL

Vale observar que a maior parte dos resíduos que a natureza selecionou para formar o bloco reluzente do fundo do mar é composto por latas de cerveja. Não é por menos que este é o produto mais consumido no carnaval. Alguém duvida disso?

Seja nos camarotes, nos blocos ou pelas ruas com os milhares de ambulantes espalhados por todos os cantos do circuito o visual é o mesmo. Para onde quer que se olhe, é certo ver milhares de pessoas consumindo, e centenas de peças publicitárias com as principais marcas que disputam a cada gole a preferência do público.

FUNDO DA FOLIA 2011

O que vejo neste cenário de exposição exagerada é um problema muito grave. Sabemos que o álcool é uma droga lícita para maiores e que o preço social por seu consumo sem qualquer controle é desastroso.

Por isso me preocupa a forma como muitas empresas do setor tem usado estratégias de marketing alinhadas com a psicologia para aumentar suas vendas. O mundo alegre, bonito, sensual e saudável tem criado padrões de comportamento entre os jovens que começam a beber muito antes dos 18 anos.

O BLOCO RELUZENTE

Alguns artistas que me perdoem a sinceridade. Entendo que emprestar a imagem para incentivar o uso do álcool em uma cidade que precisa beber muito mais suco e água de côco, para melhorar a saúde e a inteligência da nossa gente, não é atitude que mereça elogios. Pelo menos os meus.

É que acho a nossa cidade refém deste costume etílico colossal. Além de descontrolado é “inquestionável”. Basta rodar por aí, conversar com as pessoas e ver diariamente na televisão as reportagens de praia falando assim: “sol, mar, cervejinha gelada…”

SACOS DE LATAS DO FUNDO DO MAR

Mas e os afogamentos, os acidentes no transito, as mortes, os desarranjos em família, o consumo generalizado por menores e muitas outras coisas relacionadas? Pior é que no embalo desse circo vai a turma mais humilde, e socialmente mais vulnerável, que deixa até de comer feijão para “cumê água”, achando isso o máximo. Pobres vítimas…

É preciso colocar a consciência social acima da conveniência pessoal para melhorarmos este quadro perigoso, que o carnaval, por sua magnitude, acaba potencializando negativamente. É ridícula a maneira como os organismos públicos tratam do problema. Aliás, não tratam, destratam com uma inépcia de causar inveja.

"AGENTES DO CARNAVA"

Entendo que os “agentes do carnaval”, incluindo as cervejarias, precisam assumir uma postura mais responsável. É preciso um pacto, um plano inovador e coragem para fazer do carnaval um evento capaz de impulsionar o desenvolvimento da educação, saúde, segurança e cultura da nossa gente.

É bom que fique claro que por ser favorável a critérios lógicos que possam regular a questão do consumo excessivo do álcool e sua publicidade, não quer dizer que não sou adepto do produto.

Adoro cerveja, muito mais pelo gosto que pelos efeitos, e me considero um consumidor moderado. Entendo perfeitamente a importância desta indústria para a economia nacional e acredito que é possível conciliar os interesses pela inovação.

FOLIA NO NAUFRÁGIO

Mas Salvador precisa discutir o assunto com urgência. A julgar pela imaturidade com que a cidade vem tratando os interesses públicos, ela ainda não completou sua maioridade para poder lidar com um produto proibido para menores de 18 anos.

Por isso o poder público deve assumir as rédeas do carnaval entre os demais agentes, colocando o interesse social na ponta de qualquer decisão. Carnaval é bom quando dá lucro, quando há benefícios sociais permanentes para a cidade e quando a alegria é muito mais para baianos que “turistanos”.

CERVEJÃO NO PATRIMONIO DA CIDADE

É hora de associar a alegria com costumes mais saudáveis em favor da grande massa humilde da nossa cidade.  O povão precisa estar mais sóbrio para entender que merece sair da exclusão incentivada pela escravidão das cordas e do comércio ambulante que margeia a folia.

E a Barra precisa deixar de ser o palco principal de tanto descalabro. Sem mentiras e sem o bloco reluzente do FUNDO DA FOLIA…

EQUIPE REFORÇADA EM 2011

Obs: O FUNDO DA FOLIA (http://bbmussi.wordpress.com/2010/03/04/o-fundo-da-folia/) foi uma ação realizada por 5 amigos mergulhadores e surfistas, voluntários, 10 dias após o carnaval de 2010. Com a repercussão, este ano foi realizado um mergulho no dia 12 de março, na mesma área, com a participação de mergulhadores voluntários, biólogos, da ONG Biota Aquática, do grupo SOS Barra, do Guarapas Caça Sub, da escola de mergulho Projeto Galeão e apoio da LIMPURB. Não foi vasculhada toda a área. O resultado segue com destaque para as latinhas do bloco reluzente.

Latas e outros itens de metal: 1.698
Plástico (garrafas, copos, etc.): 650
Artefatos de pesca: 4 itens apenas
Vidro: 2 itens apenas
Papel: 6 itens
Madeira: 4 itens
Outros (tecidos, camisinhas, etc): 148

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OS ANJOS ESTÃO DE OLHO

CARTÃO POSTAL DO FUNDO DA FOLIA

A TRISTEZA DAS CRIANÇAS, última matéria que escrevi relatando o mergulho com duas crianças quando encontramos centenas de latinhas no fundo do mar, me deixou super inquieto por não ter respondido a minha filha e sua coleguinha, ambas com 10 anos de idade, os motivos pelos quais ninguém fazia nada para evitar aquelas cenas.

ANJOS QUE AMAM A NATUREZA

Não deu outra, decidi fazer a retirada daquele material do fundo do mar com elas participando da ação. Estava certo que seria a melhor maneira de responder, em parte, àquela perguntinha tão curta, tão direta e tão difícil.

Quando dei a notícia que iríamos mergulhar no dia seguinte para catar latinhas, elas ficaram em êxtase.  Seus olhos se arregalaram com o brilho natural da inocência dos anjos, e logo senti que teria a oportunidade de pôr meu plano em prática.

O ALVO

Elas foram dormir cedo cheias de expectativas e eu, muito pensativo, demorei de pegarno sono tentando antecipar respostas a possíveis perguntas que poderiam vir ao final daquele novo mergulho.

Combinei com os amigos Zé Augusto e Fabio Medeiros, os mesmos que participaram do FUNDO DA FOLIA, e chamei o Anselmo, um cara que faz um bom trabalho sobre o lixo pelas praias da orla da Bahia. Minha mulher também não quis ficar de fora e se juntou ao grupo para ajudar no trabalho. Sentimos falta do Francisco Pedro, o KIKO, biólogo que foi um dos resposnáveis pelo FUNDO DA FOLIA mas que não pôde participar por motivo de viagem.

A CONCENTRAÇÃO ESTAVA NO PORTO

No dia seguinte pela manhã, reunimo-nos no Farol da Barra e começamos o mergulho na direção do Porto da Barra.  A água estava com pouca visibilidade o que dificultou a identificação de alguns pontos no início do percurso.

Catamos algumas poucas latinhas onde ocorreu O FUNDO DA FOLIA, porém, o grande volume estava na área do Porto da Barra onde ficamos estacionados por mais de 2 horas mergulhando, ensacando, colocando nos “Stand Ups” (pranchões) e documentando toda a ação em fotos e vídeos. Recolhemos algo em torno de 400 latinhas e tivemos que fazer duas viagens para levar o material para a areia.

EQUIPE TIRANDO "UMA LEVA"

Em razão das condições de visibilidade, da mudança da maré e do cansaço apresentado pelas crianças não conseguimos vasculhar outras áreas e decidimos encerrar a operação.

ANTES DOS CATADORES

Levamos o material para a calçada do Forte Santa Maria, fizemos algumas fotos e imagens em vídeo, demos uma analisada superficial sobre a qualidade das embalagens e, antes que as jogássemos no container, apareceram dois catadores de rua para completar parte do ciclo que deveria ser obrigatório em relação ao descarte deste lixo.

CONTRASTE

Nossa missão estava terminada. Ficamos super satisfeitos pelo resultado da ação. É sempre muito prazeroso o mergulho na Baia de Todos os Santos ao lado de monumentos tão belos como o Farol da Barra, o Forte de Santa Maria e a paisagem deslumbrante da Barra. Mesmo a água estando com pouca visibilidade e o visual apresentar um contraste desolador com todo aquele lixo.

Fiquei na expectativa de ouvir as crianças. Eu sabia que aquele mergulho havia contribuído para a formação de suas consciências através de uma atividade que ficaria registrada para o resto de suas vidas.

OA ANJOS ENCONTRARAM PARTE DA RESPOSTA

Só não esperava, pelo silêncio, que elas tivessem encontrado uma resposta razoável sobre a questão formulada no primeiro mergulho sem que eu precisasse dizer uma única palavra. Acho que perceberam que quando se tem vontade e determinação alguém pode fazer alguma coisa, mesmo que em pequenas proporções.

Lá adiante, quando ficarem um pouco mais sabidas, a pergunta vai ser a mesma que faço atualmente e que continua sem resposta:

Por que não existe uma política pública realmente séria para acabar com o FUNDO DA FOLIA?

MERGULHADOR PROFISSIONAL E VIDEOMAKER FABIO MEDEIROS É UM GRANDE ALIADO NESTAS AÇÕES

Vai ser difícil tentar explicar algo tão inexplicável, ainda mais para quem fez alguma coisa sem qualquer pretensão comercial ou política, como minúsculas formiguinhas, na intenção sincera de estar ajudando o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas que jamais imaginaram conhecer.

Vai ser complicado tentar defender os políticos e os gestores públicos quando elas entenderem que eles é que organizam o formigueiro e possuem os meios para resolver o problema pela raiz.

VAMOS CONTINUAR MOSTRANDO O FUNDO DA FOLIA

Até lá vamos continuar fazendo a nossa parte. Vamos continuar mergulhando, catando latinhas, escrevendo nossas experiências e alimentando as cabecinhas de anjo com ações e idéias positivas.

OS ANJOS ESTÃO DE OLHO

Assim é que manteremos acesa a chama da esperança pelas tão sonhadas políticas públicas que impeçam a continuidade da TRISTEZA DAS CRIANÇAS e do FUNDO DA FOLIA.

Agora com os anjos de olho…

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